Talvez não saibas Mas dormes nos meus dedos De onde fazem ninhos as andorinhas... Joaquim Pessoa

sábado, 19 de julho de 2008

EM SEGREDO...


Gosto de ti em segredo
Com uma ternura sã,
Como uma amiga, uma irmã.
Gosto dos teus olhos profundos,
Tão tristes e solitários
Onde passam cortejos imaginários
De imaginários mundos.
Sinto tua dor e alegria
Como se nossos corações
Vibrassem na mesma sintonia.
Por tua alma sensível,
Por tudo , - e nem sei porquê -
Gosto de ti em segredo,
Gosto de ti quase a medo...
**
Leonor Costa
Em 13.12.1970

quinta-feira, 3 de julho de 2008

SE...


Se um dia já fui criança,
Se usei bibes e laços
Enfeitando a negra trança,
Se já possuí bonecas
E as embalei em meus braços,
Se já fui menina e moça
E desabrochei mulher,
Se já amei e beijei,
Se fui esquecida e esqueci,
De que me importam os anos
Se posso dizer VIVI!
Leonor Costa
Em 1968


sexta-feira, 13 de junho de 2008

O MEU PESADELO


Quando as aves se calam
E se abrigam no seu ninho,
O silêncio e o escuro instalam-se
Sem licença, de mansinho.
A luz do candeeiro desenha
Fantasmas enormes, irreais
Pelas paredes da casa.
O vento, com sopro forte,
Arremeda contra os portais.
Instala-se em mim o medo,
Olho em volta, sinto arrepios...
Procuro vislumbrar alguém
Mas não vejo nada
Além de lugares vazios.
Onde estão? Porque me deixaram?!...
Exausta de tanto clamar
Enrolo-me sobre mim,
Tombo no chão como um farrapo
E acabo por adormecer...

Na minha casa há muitos lugares vazios.
Gostava que os viessem ver...










Em 25.05.2008

sexta-feira, 30 de maio de 2008

ATÉ AO FIM!

Ás palavras que vivem
Aprisionadas na minha garganta,
Quiseram cortar-lhes a língua,
Para lhes roubarem a voz!
Ah, mas nunca conseguirão calá-las!...
Elas são como a voz dos poetas
Que habita dentro de nós!
E a voz dos poetas é sangue!
É força não reprimida!
E o sangue agita-se e luta
Enquanto lhe sobrar VIDA!




Leonor Costa


Em 28.05.2008


quarta-feira, 21 de maio de 2008

RENASCI!


Sacudi o pó das penas da minha alma,
Abri meus braços e renasci
Das cinzas em que, sepultada,
Tantos anos, como morta, eu vivi!
Dei um grito de alegria, olhando em volta,
Com olhar deslumbrado de criança
Tão bela era essa paz e segurança.
O sol iluminava-me os cabelos, em desalinho,
Meus olhos eram estrelas cintilantes,
E meu riso ecoava pelos caminhos!
Quem me matou à sede de viver?
Quem me enterrou nas cinzas de onde saí?
Mas agora já nada mais importa
Só sei que estava morta e ressurgi!
Vou saciar minha sede de viver,
Tenho a vida à minha espera
E não tenho tempo a perder.
Renasci,vou ser quem sou.
Porque a outra... a outra eu não sei quem era!!!



Em 24.04.08

sexta-feira, 25 de abril de 2008

LÁGRIMAS

Lágrimas
Choradas e sentidas
Na solidão do meu quarto...
Lágrimas
Que só eu vejo e sinto...
Choro por ti,
Pelo nosso amor desfeito,
Pelo Mundo,
Por todo o que é desgraçado,
Por aquele que amou
Mas nunca foi amado
E ainda por quem
Na vida só conheceu a dor...
E choro também por mim,
Meu amor...

Em 26.07.1964

sexta-feira, 11 de abril de 2008

INVULGARIDADE


"No meu tormento de invulgaridade
Achei-me só, igual a toda a gente".
Os mesmos gestos cheios de ansiedade
O mesmo olhar inquieto ou dolente.


Este querer-não-querer, esta vaidade,
Este andar a fugir, constantemente,
Sem querer encarar a realidade,
Em tudo sou igual à outra gente.

Quisera ser da flor perfume alado,
Poder estar aqui e em todo o lado,
Perder-me em toda a vastidão etérea,


Num mundo só por mim idealizado,
Sem que existisse a dor nem o pecado.
Olhar em volta e não ver miséria.


Leonor Costa
Em 1965