quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

O BALANÇO DA VIDA

Para fazer balanço à vida
Tranquei-me dentro de mim...

Segurei no meu velho baú,
Tirei-o da prateleira.
É nele que tenho guardados
Os assentos da vida inteira.
Ela está escrita em livros,
E cada um tem sua cor.
O que tem as folhas rosa
É o destinado ao amor.
Ao abri-lo, vi sem surpresa
Que entre o deve e o haver
A diferença continua tanta
Ficando eu sempre a perder.
Depois veio o da saudade,
Que abri devagarinho,
Tem as páginas tão amarelas ,
Mais parecem um pergaminho.
Li os nomes nelas escritos
E a saudade, ai como doeu...
Recordei-os todos, um a um,
Entre eles também está o teu.
A seguir tirei o da esperança,
Capa verde, tão desbotada...
Lá dentro estão todos os sonhos
Duma vida em vão sonhada.
Chegou a vez do da solidão,
Cinzento, vazio e ressequido...
Afaguei-o junto ao peito e senti
Que a vida não tem sentido.
Nada encontrando de novo
Depois do balanço terminar.
Levantei-me, guardei os livros,
Coloquei o velho baú no lugar....

....Destranquei-me de dentro de mim
E, em vão, tentei não chorar...



Leonor Costa
Em 05.01.2008

sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

AO PÔR-DO-SOL


Com o pôr-do-sol morrem os meus sonhos,
Cansados de tão longa espera
E as lágrimas deslizam pelo meu rosto.
Quem dera que meu pranto levasse a minha mágoa
E o desencanto de te ver só no meu horizonte.
A esperança é uma flor que murchou
E cujas pétalas desfolhei entre meus dedos.
Nada me resta a não ser a cumplicidade
Que existe entre mim e o pôr-do-sol.
***********
Leonor Costa
Em 12.2007

sábado, 19 de janeiro de 2008

UM DIA DIFERENTE

Hoje foi todo um dia bem diferente
Em que andavam perfumes pelo ar
E a brisa murmurava, docemente,
Que tu, ó meu amor, ias voltar!

Tudo se transformou. De repente
Voltou a luz da esperança a rebrilhar,
As flores sorriram-me, suavemente,
E o sol aconteceu no teu olhar.

Depois, tudo findou, tudo morreu.
Tiveste-me a teu lado e não me viste,
Partindo sem me teres nos teus braços...

O sol, que ria alegre, escureceu,
A esperança feneceu, fiquei mais triste
E as flores desfolharam-se em teus passos.



Leonor Costa
Em 1970

domingo, 13 de janeiro de 2008

ESPERO-TE


Não sei como és.
Nunca te vi.
Nunca ouvi tua voz.
Nunca toquei tua mão,
Mas sei que estás aí.
Espero-te.
Sonho-te.
Quando vieres
Traz-me o teu sorriso,
O teu carinho
E uma flor.
Leonor Costa
Em 10.11.07

sábado, 5 de janeiro de 2008

À NOITE


É quando a cidade anoitece
Que minh'alma também escurece
Tingida de solidão.
Sem o sol vai-se a alegria,
Sem o sol a noite é fria,
Não gosto da escuridão.
Além do som dos meus passos
Há gemidos, choros, revolta
Que o meu coração escuta,
Mesmo ali, à minha volta.
São lamentos sufocados
De quem tem sobras de dor.
São mãos sedentas, famintas,
Que mendigam pão e amor.


Leonor Costa

Em 19.12.2007