domingo, 2 de novembro de 2008

SOU


Sou a noite fria e escura
Sem estrelas nem luar.
Sou madrugada que se adivinha,
Sou uma ave a cantar.
Sou o poema inacabado
Do livro que ninguém leu.
Sou sonho que um dia tive
Mas depressa feneceu.
Sou uma flor perfumada
Que à míngua de água secou.
Sou a esperança que não morre
Mas de tanta espera cansou.
Sou ave de asas cortadas
Que já não sabe voar.
Sou suave melodia que anda
Por sobre a terra a vibrar.
Sou fúria, sou vendaval,
Sou um barco naufragado
No meu cabo das tormentas.
Tenho o meu peito rasgado
Cheio de chagas sangrentas.
Sou princesa "era-uma-vez"
Da história que alguém escreveu.
Fui criança, sou mulher,
Sou tudo e apenas EU!


Leonor Costa
Em 02.11.2008