segunda-feira, 10 de Agosto de 2009

QUE IMPORTA...

Tenho saudades...
Que importa
Se bates à minha porta
E não vens para ficar?
Somos vidas paralelas
Que nunca se vão encontrar...
Quantas vezes passas por mim
Fingindo que não me vês...
Sendo assim não esperes
Que corra p'ra ti outra vez!
Tive saudades...
Que importa
Se batias à minha porta
E não vinhas para ficar?
Vê tu, a vida é tão breve...
É uma brisa passageira
Que não podemos deter...
Um dia bates-me à porta
E já não estou cá p'ra te ver!
Leonor Costa

segunda-feira, 27 de Abril de 2009

NA CORRENTE DA VIDA


Tenho ceptro, sou raínha
Dum mundo por inventar.
Meu manto é feito de bruma,
Minha coroa de estrelas
E meus olhos de luar.
Meu nome não sei qual é.
Podem chamar-me Solidão.
Vim na corrente da Vida,
Parei no teu coração.

Leonor Costa

sábado, 28 de Março de 2009

VIVER ILUSÃO


Não se importem comigo,
Deixem-me sozinha!
Não me digam nada,
Não me lastimem,
Deixem-me chorar,
Desesperar, descrer,
Mas erguendo sempre de novo
Meu etéreo castelo de ilusões!
Quero esquecer porque chorei...
Não pensar...
Quero deixar para trás,
Para bem longe, as lembranças.
Quero viver e ser eu.
Deixem-me erguer meu castelo
(Meu pobre castelo...)
Chamem-me louca!
Chamem-me louca, se quiserem,
Mas não me matem as ilusões!
*************
Leonor Costa
Em 1969

sábado, 28 de Fevereiro de 2009

*****


Quando as palavras não chegam, as flores falam por mim...
A todos desejo um bom fim de semana com a promessa de que voltarei em breve.

terça-feira, 27 de Janeiro de 2009

POESIA É...



Poesia é a vida cantada,
Umas vezes rimada,
Outras vezes não.
Poesia é a vida chorada
Quando as palavras
São acompanhadas
Das lágrimas do coração.
Poesia é viver fingindo
Aquilo que se não sente
Ou aquilo que se esconde...
O poeta é um fingidor
Mas não se sabe até onde...
Há coisas que ficam guardadas,
Há outras que são pintadas
Com as cores do arco-íris,
Num mundo de fantasia
Que vive dentro de nós
E que ajuda a caminhada
Nesta estrada conturbada
Desta vida tão atroz.
Poesia são olhos iluminados
Por todos os nossos desejos
Poesia é chorar cantando,
Poesia é viver sonhando,
Em segredo, dentro de nós.






Leonor Costa
Em 27.01.2009

sábado, 17 de Janeiro de 2009

MIRAGEM


Pedi à minha saudade
Que fosse à tua procura,
E percorresse a cidade
Até à rua mais escura.
Que te procurasse nos cantos
Que esconderam nossos abraços,
Que perguntasse por ti às pedras
Que escutaram nossos passos.
Que perguntasse também ao vento
Que, nas tardes frias e agrestes,
Um ao outro aconchegava.
Esperei dias, esperei noites,
Sonhei contigo acordada
E a saudade não voltava
E eu ficava angustiada.
Um dia a saudade regressou
De mãos vazias, fatigada e triste
Dizendo que não te encontrou
Depois de tão longa viagem.
Agora tenho a certeza
Que tu na minha vida
Não passaste de uma miragem.



Leonor Costa
Em 19.12.2008

segunda-feira, 29 de Dezembro de 2008

NATAL DA MINHA INFÂNCIA

Natal da minha infância


Natal da minha infância
Em que tudo era singelo
Sem maldade e arrogância,
Natal era um sonho belo
Guardado inteiro cá dentro,
No fundo do coração.

Quando essa noite chegava
Nos meus olhos espreitava
Uma contida emoção.
A casa era velhinha...
Era tudo tão pobrezinho...
Mas era tudo tão lindo...
E deitada na caminha
Eu adormecia, sorrindo.
Sonhava com os anjos,
E com o Menino Jesus.
Natal, magia de uma noite só...
E eu flutuava numa núvem
Enquanto fazia ó-ó...
E ao acordar, bem cedinho,
Saltava da cama tão feliz,
Com os cabelos em desalinho
E, sem me lembrar do frio,
Corria para a chaminé, gritando
E batendo as palmas dizia:
Está ali o meu bébé!!!
O boneco que eu tinha pedido,
Que era de papelão, o Zezinho!...
E, maravilhada e feliz
Aconchegava-o ao meu peito
E beijava-o, com carinho.
Ah! como o tinha querido!...
E o Jesus, que tudo sabe,
Escutou o meu pedido...
Só depois, sem o soltar,
Olhava para as outras prendas
E ria... ria... como só ri uma criança,
Gargalhadas infantis, são puras
Ficam no ar a vibrar...
Fazem esquecer amarguras...
A casa estava tão bonita e enfeitada
Tão mais quente e acolhedora...
Quando olhei para o presépio vi
Que até o Jesus sorria na mangedora!

Natal da minha infância
Em que tudo era tão belo...

Leonor Costa

EM 29.09.2008