
"No meu tormento de invulgaridade
Achei-me só, igual a toda a gente".
Os mesmos gestos cheios de ansiedade
O mesmo olhar inquieto ou dolente.
Este querer-não-querer, esta vaidade,
Este andar a fugir, constantemente,
Sem querer encarar a realidade,
Em tudo sou igual à outra gente.
Quisera ser da flor perfume alado,
Poder estar aqui e em todo o lado,
Perder-me em toda a vastidão etérea,
Num mundo só por mim idealizado,
Sem que existisse a dor nem o pecado.
Olhar em volta e não ver miséria.
Leonor Costa
Em 1965