sábado, 5 de janeiro de 2008

À NOITE


É quando a cidade anoitece
Que minh'alma também escurece
Tingida de solidão.
Sem o sol vai-se a alegria,
Sem o sol a noite é fria,
Não gosto da escuridão.
Além do som dos meus passos
Há gemidos, choros, revolta
Que o meu coração escuta,
Mesmo ali, à minha volta.
São lamentos sufocados
De quem tem sobras de dor.
São mãos sedentas, famintas,
Que mendigam pão e amor.


Leonor Costa

Em 19.12.2007




14 comentários:

Maria Laura disse...

Também não gosto da escuridão. Coincidência: o meu post de hoje também é sobre a noite.

Blueshell disse...

Gostei de ler.

Grata pela visita.

BShell

Berta Helena disse...

Olá Leonor,

è bonito o que escreves sobre a noite.

elvira carvalho disse...

Curioso que eu também não gosto de escuridão. Mas gosto da noite. Gosto das estrelas, gosto do brilho das luzes.
Uma boa semana
Um abraço

O Profeta disse...

Na noite tudo se perde, mora a sombra o desvario...um poema dramático...


Doce beijo

gaivota disse...

na sombra da noite também há luz, muita luz!
procura que encontras...
beijinhos

FERNANDA & POEMAS disse...

Olá Leonor, grata por todo o carinho que me dás.
Gosto muito do teu blogue.
Beijinhos,
Fernandinha

Nilson Barcelli disse...

"Mesmo ali, à minha volta.
São lamentos sufocados
De quem tem sobras de dor.
São mãos sedentas, famintas,
Que mendigam pão e amor. "
Todo o poema é muito bom, mas a parte final é excelente, principalmente porque acabas o poema a "crescer".
Beijinhos.

FM disse...

É verdade, a noite tem tantas sombras, tanta escuridão... Há sempre que tentar dar-lhe mais brilho, mais "gente"...

A. João Soares disse...

Agradeço a visita e as palavras que deixaste no Do Mirante.
Gosto deste poema sobre a noite. Mas nas noites, em que o sol está ausente e a lua nem sempre nos dá a sua luz pálida, há momentos de reflexão e, para muitos artistas, a inspiração para a criatividade.
Para mim, é o repouso para recuperar das fadigas do dia e para armazenar energias para o dia seguinte que começa cedo.
No entanto, concordo que quem sofre sente mais dor na noite, na solidão em que o calor humano lhe falta.
Beijos
João

Dulce disse...

Leonor, o seu poema é sublime... afinal não existe escuridão, mas sim ausência de luz...
Grata por este partilhar...
Um abraço,
Dulce

ManuelNeves disse...

Viva!

Se a noite existe, então a noite é luz!

voltarei

elvira disse...

Bom fim de semana.
Um abraço

joaninha disse...

Tão bonito este poema. Inspirou-me e vou escrever... e aqui ficam estas palavrinhas com um beijinho:

Um anoitecer tão igual a muitos outros
Uma escuridão a pintalgar o azul do céu
E uma dor que se espalha pelo horizonte,
Uns perdidos pela tristeza, outros pela solidão…
E sob um espesso e escuro véu
Fica uma esperança, um sonho, uma ilusão…

beijinhosssssssssssss