quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

O BALANÇO DA VIDA

Para fazer balanço à vida
Tranquei-me dentro de mim...

Segurei no meu velho baú,
Tirei-o da prateleira.
É nele que tenho guardados
Os assentos da vida inteira.
Ela está escrita em livros,
E cada um tem sua cor.
O que tem as folhas rosa
É o destinado ao amor.
Ao abri-lo, vi sem surpresa
Que entre o deve e o haver
A diferença continua tanta
Ficando eu sempre a perder.
Depois veio o da saudade,
Que abri devagarinho,
Tem as páginas tão amarelas ,
Mais parecem um pergaminho.
Li os nomes nelas escritos
E a saudade, ai como doeu...
Recordei-os todos, um a um,
Entre eles também está o teu.
A seguir tirei o da esperança,
Capa verde, tão desbotada...
Lá dentro estão todos os sonhos
Duma vida em vão sonhada.
Chegou a vez do da solidão,
Cinzento, vazio e ressequido...
Afaguei-o junto ao peito e senti
Que a vida não tem sentido.
Nada encontrando de novo
Depois do balanço terminar.
Levantei-me, guardei os livros,
Coloquei o velho baú no lugar....

....Destranquei-me de dentro de mim
E, em vão, tentei não chorar...



Leonor Costa
Em 05.01.2008

16 comentários:

Divinius disse...

RESPIRA A LEVEZA QUE VIVE EM TI...
SOLTA TODA A BELEZA DO TEU OLHAR...
SOLTA TODA A BRANCURA DA TUA TERNURA...
SOlTA NA ÁGUA ETERNA DO MAR...
Gostei de ler e de sentir a paz:)

O Profeta disse...

Os pesares dividem as marés
A idade do ouro ainda tarda
Os anos passam como gotas varridas
Por um tempo que retrata o nada


Convido-te a saborear um absinto no meu espaço
pela Taça de Fino Ouro



Mágico beijo

De Amor e de Terra disse...

Olé Leonor, bom dia!
Obrigada pelas palavras; quanto ao meu comentário, disse o que senti.
Gosto do que escreves, muito e admiro-te há já muito tempo. Tenho lido muitas coisas, directamente do Mundo dos Livros e doutros lugares mais, até em Blogs de Amigos.
Só venho até cá muito raramente e creio nunca ter deixado comentário;
começo hoje e nunca é tarde para se dizer da admiração.
Ando muito mais fugida do que de costume, mas sempre que possa, cá estarei!
Beijos e Felicidades.
Maria Mamede

brisa de palavras disse...

Adorei!
Andamos sempre às voltas com o baú do passado que não nos deixatantas vezes viver o presente o futuro...
um abraço
brisa de palavras

Berta Helena disse...

Leonor,

Gostei mesmo muito deste teu poema. Não consigo deixar de pensar nos teus livros e nas tuas palavras.

Beijinhos

gaivota disse...

minha amiga
às vezes sabe tão bem chorar...
também o fazer contas à vida e rebuscar as memórias, remexer em assuntos e lembranças já arquivadas, tráz-nos esses resultados...
beijinhos

José Gomes disse...

Olá Leonor,
Realmente tenho passado pelas tuas "casas", de mansinho, pé-ante-pé, saboreando o que escreves e saindo muito devagarinho, recheado com a luz que a tua escrita emana.
Não tenho deixado comentários, não iria manchar as coisas lindas que fazes e que te dizem.
Aquele abraço e uma boa semana.
Já agora agradeço a tua visita.
José Gomes

belakbrilha disse...

Nós guardamos tudo isso...num livro de verdade...

O que fui, o que sou, o que penso ser...ou quem sabe o que sonho ser!

Somos uma mistura complexa de sentires...bem fechada nesse baú, que é nosso, que existe nesse tal recanto que só nós sabemos onde está.

Umas vezes dói ao abri-lo, outras.......como é bom!

beijos...engraçado já escrevi sobre este tal baú, há muito tempo atrás!

bfs

elvira carvalho disse...

Gostei muito. Mas achei muito triste. Muito desespero, muita solidão, muita tristeza. Queira Deus seja fruto da sua imaginação priveligiada, e não o reflexo do seu coração magoado.
Um abraço

Sandra Daniela disse...

Obrigada pela sua visita ao meu blog, e o seu comentário!

Gostei imenso deste baú... virei mais vezes... já agora: Bom Carnaval!

Alexandre Fonseca disse...

parabens pelos poemas

Maria, Simplesmente disse...

Vim visitá-la e gostei muito.
Um beijo para si
Maria

elvira carvalho disse...

Prémio no Sexta-feira.
Um abraço

Maria Laura disse...

Pois, os balanços da vida! Entendo bem o teu sentido poema. Mas talvez devêssemos tentar viver o bom de cada dia e ver quanto pesa na balança.

Menina do Rio disse...

Acho que preciso me trancar num baú...

Um beijo

António disse...

Gosto de tua poesia!
Sobretudo porque é simples e se compreende bem, mesmo quando abordas assuntos muito pessoais.

Beijinhos