sexta-feira, 13 de junho de 2008

O MEU PESADELO


Quando as aves se calam
E se abrigam no seu ninho,
O silêncio e o escuro instalam-se
Sem licença, de mansinho.
A luz do candeeiro desenha
Fantasmas enormes, irreais
Pelas paredes da casa.
O vento, com sopro forte,
Arremeda contra os portais.
Instala-se em mim o medo,
Olho em volta, sinto arrepios...
Procuro vislumbrar alguém
Mas não vejo nada
Além de lugares vazios.
Onde estão? Porque me deixaram?!...
Exausta de tanto clamar
Enrolo-me sobre mim,
Tombo no chão como um farrapo
E acabo por adormecer...

Na minha casa há muitos lugares vazios.
Gostava que os viessem ver...










Em 25.05.2008

9 comentários:

Paula Raposo disse...

Existem sempre lugares vazios numa casa. Obrigada pela tua visita e pelas palavras. Beijos.

Maria Laura disse...

Quantos lugares vazios, até nas casas cheias de gente! À medida que a vida corre, vão sendo mais óbvios esses lugares vazios...

MIMO-TE disse...

Não deixes que fiquem vazios. Todos temos a capacidade de os conseguir encher! Todos sabemos como fazer, está tudo em nós.

Bjos e mimos de mim

joaninha disse...

Pode parecer estranho, mas vazio é o espaço que espero preencher um dia... mesmo que esse dia seja aquele para além do último dia em que o sol brilhe...
Gostei muito deste poema. Palavras profundas e muita emoção. Beijinhos

elvira carvalho disse...

Na minha casa há muitos lugares vazios...
Uma imagem triste a lembrar a solidão.
Um abraço e uma boa semana

Clarice disse...

Há alguns lugares que devem ser deixados vazios, para que a felicidade possa se instalar sem dificuldade. Belas palavras!
Um grande abraço.

jorgeferrorosa disse...

Olá! Obrigado pelo comment. Sim, certamente estarei com a nossa querida amiga já muito em breve. Sim, por norma as fotos são sempre situações que nos aproximam. Não prometo que vou colocar no blog, contudo logo se vê.
Bonito o seu trabalho, no vazio escondem-se outros preechimentos que nem sempre se deixam apreender.
Uma boa noite e tudo de bom para si.
Abraço
Caderno da Alma

Nilson Barcelli disse...

Achei tantas coisas do teu excelente poema...
Eu ouvi o canto das aves... serão as tuas...?
Tens pesadelos como as crianças... e ainda bem, pois é sinal que não deixaste ainda morrer a criança que há em ti.
O teu convite final, mesmo poético, não deixa de ter muita ternura.
Só consegue escrever assim quem for boa pessoa. E tu, a mim não me enganas, és mesmo uma pessoa excepcional.

Beijinhos.

sofialisboa disse...

mas que palavras ditas hoje, quase me arrepiei. sofialisboa