Talvez não saibas Mas dormes nos meus dedos De onde fazem ninhos as andorinhas... Joaquim Pessoa

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

VIESTE







VIESTE

Quem eras eu não sabia,

Mas sabia que existias.

 Meu coração sempre disse

Que à minha procura virias.

Vieste.

Trouxeste-me o teu sorriso,

Tal como eu desejava.
calaram-se os nossos lábios,

Só nossos olhos falaram.

Quando nossas mãos se tocaram

E com carinho, me puxaste para ti,

Na ternura daquele abraço

Tu disseste: “estou aqui…”

Falaram nossos silêncios,

Falaram nossos afagos…

Não são precisas palavras

Nos nossos momentos magos.

Onde estavas? Tanto te esperei…

O que te trouxe à minha vida?

Quem fez tua voz tão doce

Para me chamares “querida”

Fica…

Não quero perder-me de ti,

Não quero que de mim te afastes.

Não me deixes nunca, amor,

Agora que me encontraste.





 14.12.20








segunda-feira, 10 de agosto de 2009

QUE IMPORTA...

Tenho saudades...
Que importa
Se bates à minha porta
E não vens para ficar?
Somos vidas paralelas
Que nunca se vão encontrar...
Quantas vezes passas por mim
Fingindo que não me vês...
Sendo assim não esperes
Que corra p'ra ti outra vez!
Tive saudades...
Que importa
Se batias à minha porta
E não vinhas para ficar?
Vê tu, a vida é tão breve...
É uma brisa passageira
Que não podemos deter...
Um dia bates-me à porta
E já não estou cá p'ra te ver!
Leonor Costa




sábado, 28 de fevereiro de 2009

*****





Quando as palavras não chegam, as flores falam por mim...



A todos desejo um bom fim de semana com a promessa de que voltarei em breve.

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

POESIA É...



Poesia é a vida cantada,
Umas vezes rimada,
Outras vezes não.
Poesia é a vida chorada
Quando as palavras
São acompanhadas
Das lágrimas do coração.
Poesia é viver fingindo
Aquilo que se não sente
Ou aquilo que se esconde...
O poeta é um fingidor
Mas não se sabe até onde...
Há coisas que ficam guardadas,
Há outras que são pintadas
Com as cores do arco-íris,
Num mundo de fantasia
Que vive dentro de nós
E que ajuda a caminhada
Nesta estrada conturbada
Desta vida tão atroz.
Poesia são olhos iluminados
Por todos os nossos desejos
Poesia é chorar cantando,
Poesia é viver sonhando,
Em segredo, dentro de nós.






Leonor Costa
Em 27.01.2009

sábado, 17 de janeiro de 2009

MIRAGEM



Pedi à minha saudade
Que fosse à tua procura,
E percorresse a cidade
Até à rua mais escura.
Que te procurasse nos cantos
Que esconderam nossos abraços,
Que perguntasse por ti às pedras
Que escutaram nossos passos.
Que perguntasse também ao vento
Que, nas tardes frias e agrestes,
Um ao outro aconchegava.
Esperei dias, esperei noites,
Sonhei contigo acordada
E a saudade não voltava
E eu ficava angustiada.
Um dia a saudade regressou
De mãos vazias, fatigada e triste
Dizendo que não te encontrou
Depois de tão longa viagem.
Agora tenho a certeza
Que tu na minha vida
Não passaste de uma miragem.





Leonor Costa
Em 19.12.2008

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

NATAL DA MINHA INFÂNCIA

Natal da minha infância


Natal da minha infância
Em que tudo era singelo
Sem maldade e arrogância,
Natal era um sonho belo
Guardado inteiro cá dentro,
No fundo do coração.

Quando essa noite chegava
Nos meus olhos espreitava
Uma contida emoção.
A casa era velhinha...
Era tudo tão pobrezinho...
Mas era tudo tão lindo...
E deitada na caminha
Eu adormecia, sorrindo.
Sonhava com os anjos,
E com o Menino Jesus.
Natal, magia de uma noite só...
E eu flutuava numa núvem
Enquanto fazia ó-ó...
E ao acordar, bem cedinho,
Saltava da cama tão feliz,
Com os cabelos em desalinho
E, sem me lembrar do frio,
Corria para a chaminé, gritando
E batendo as palmas dizia:
Está ali o meu bébé!!!
O boneco que eu tinha pedido,
Que era de papelão, o Zezinho!...
E, maravilhada e feliz
Aconchegava-o ao meu peito
E beijava-o, com carinho.
Ah! como o tinha querido!...
E o Jesus, que tudo sabe,
Escutou o meu pedido...
Só depois, sem o soltar,
Olhava para as outras prendas
E ria... ria... como só ri uma criança,
Gargalhadas infantis, são puras
Ficam no ar a vibrar...
Fazem esquecer amarguras...
A casa estava tão bonita e enfeitada
Tão mais quente e acolhedora...
Quando olhei para o presépio vi
Que até o Jesus sorria na mangedora!

Natal da minha infância
Em que tudo era tão belo...

Leonor Costa

EM 29.09.2008

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

NÃO GOSTO DO PAI NATAL



Vem aí o Pai Natal...
Já oiço tilintar os guizos
das renas que puxam o trenó.
Tanta ignorância na gente
Confesso que me faz dó.
Andam esses bonecos bojudos
De cabeleiras de algodão
E mais bigode e óculos
Pra disfarçar o cidadão.

Por baixo das cabeleiras, por vezes,
Estão os rostos dos rapazes
que fazem tudo à maneira
Pra mostrarem que são capazes
De aldrabar as criancinhas...
Com os seus ares ternurentos
Trazendo muitas prendinhas
Para quem durante o ano
Se portou bem, muito bem.

Mas então e aqueles outros
Que não têm que comer
O que é que que lhes vai caber?
Só fome e olhos para ver?
Nunca tinham reparado
Que o Pai Natal é dos ricos,
Que o Pai Natal é um intrujão?
Aos ricos enche-os de prendas
E os pobres o que terão?
Olhos pasmados, famintos
Olhando brinquedos e rebuçados
Sem perceberem porquê
São assim descriminados!

Tudo é festim, bebedeira,
Comezaina até rebentar
Azevias, sonhos, coscurões,
Fatias paridas e o bacalhau,
Claro, que não podia faltar!
Haja alegria! Cantem todos!
Alimentem o colesterol
E não esqueçam a diabetes!
Vá lá, não se privem de nada !
Comam e bebam de tudo
Deixem pra depois os fretes!

Mas hoje é dia de festa
Cantem com alegria
Porque depois, só pró ano
É que se repete a folia!
Como é bom receber prendas
(nem sempre é o que se sonhava...)
Mas olhem que o que importa
É o espírito do Natal!...
Disso podem ter a certeza!

De manhã, quando acordarem
E fizerem contas à vida...
Resmungam com a despesa.
Resmungam com os presentes:
Mas que grande porcaria!
Com certeza foi ao chinês!
Tivesse eu adivinhado...
Ah, mas deixa...pró ano é a tua vez!...

E a casa, que chiqueiral:
Montes de loiça pra lavar,
Comida desperdiçada...
E lá fóra, os pobrezinhos,
Atentos aos caixotes, tiritando,
Anda vivem na esperança
Que tenham sobrado uns ossinhos
Com restos de carne assada...
Escorropicham as garrafas,
À pinga chamam-lhe um figo,
Aproveitam-se as migalhas,
E as caixas de cartão para abrigo.

E o pobre ri contente, resignado...
E depois não é só isso!...
Há as bodas de caridade ,
Com a sopa bem quentinha
E tudo o mais que vier!
Comam enquanto houver vontade,
Que lhes faça bom proveito!

Como é bom brincar à caridade
Nas ruas da nossa Lisboa ...
Até nos esquecemos que um pobre
Também é gente, é pessoa ...
E também tem necessidade!

Pobre come todos os dias,
Não come só uma vez por ano!
Em todo o lado é igual!
Deixemo-nos de fantasias!...
É por isso que eu digo:
(e não me levem a mal)
"Não gosto do Pai Natal"!
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Leonor Costa
Em 22.12.2008