Talvez não saibas Mas dormes nos meus dedos De onde fazem ninhos as andorinhas... Joaquim Pessoa

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

O MILAGRE DO SILÊNCIO

Abriram-se as portas do Palácio do Silêncio
E o Silêncio saíu invadindo toda a terra.
A natureza entoou um cântico de paz,
Calaram-se, para sempre,
As armas e os clamores de guerra.
O chão ressequido floriu
Por sobre um tapete verde de esperança!
Os seres alquebrados ergueram suas faces
E deixaram-se envolver pela bonança.
A terra, planeta azul, entristecido,
Agora já tem no rosto um sorriso!
Meu Deus, como seria bom
Adormecer neste inferno que é a vida,
Para acordar, feliz, num Paraíso!

Leonor Costa

Em 12.2008

Este poema está a ser postado pela 2ª. vez porque foi eliminado. Perdi os vossos comentários e gostava de tê-los novamente, se possível. Obrigada.

domingo, 2 de novembro de 2008

SOU


Sou a noite fria e escura
Sem estrelas nem luar.
Sou madrugada que se adivinha,
Sou uma ave a cantar.
Sou o poema inacabado
Do livro que ninguém leu.
Sou sonho que um dia tive
Mas depressa feneceu.
Sou uma flor perfumada
Que à míngua de água secou.
Sou a esperança que não morre
Mas de tanta espera cansou.
Sou ave de asas cortadas
Que já não sabe voar.
Sou suave melodia que anda
Por sobre a terra a vibrar.
Sou fúria, sou vendaval,
Sou um barco naufragado
No meu cabo das tormentas.
Tenho o meu peito rasgado
Cheio de chagas sangrentas.
Sou princesa "era-uma-vez"
Da história que alguém escreveu.
Fui criança, sou mulher,
Sou tudo e apenas EU!


Leonor Costa
Em 02.11.2008



segunda-feira, 13 de outubro de 2008

DUAS PALAVRAS


"Amo-te"
Disse-me alguém
E a minha vida
Transfigurou-se em roseiral em flor.
Fui feliz como ninguém
Enquanto a ilusão durou...
"Esquece-me"
Ouvi, mais tarde
E vestiu-se-me de luto o coração.
Hoje já não tenho ilusões,
Já não sou tão crente.
Tenho uma alma velha
Num corpo jovem
Porque já não "amo"
Mas não consigo "esquecer".



Leonor
Em 27.05.1965







sexta-feira, 3 de outubro de 2008

GAROTA DOS OLHOS TRISTES...

"Dedico esta composição, à saudade
que vive no coração da minha amiguinha
Leonor Campos "

- Maria Elisabeth Pereira -


Garota dos olhos tristes...
Porque ris,
Se os teus olhos
Denotam um ar de solidão?...
Sim! Porquê?...
Porquê, quando passas,
Esses dois pedaços de noite tropical
Vagueiam,
Perpassam, sempre serenos,
Quase abstraídos do que os rodeia?...
Oh! Garota dos ohos tristes...
Porque vives fugindo duma sombra,
Buscando um esquecimento que não chega,
Cambaleando,
Aqui...
Além... Oh! Garota!!!
Vem daí e ri às gargalhadas!!!
Ri até chorares...
Chorar?!...
Sim, chorar...
Nos teus maravilhosos olhos negros
Sempre vive brilhando uma lágrima...
Uma lágrima de solidão...
Minha garota de olhos tristes...
Trazes neles incrustada
Mística balada
Duma ilha distante
Onde tens enterrado o coração...
Garota dos olhos tristes...
Porque ris,
Se trazes nos doces olhos
Um tão grande mar de solidão?!...

**************
Por esta altura estávamos nos anos 60...
Encontrei hoje,esta poesia no meio de muitas recordações, Foi escrita por uma colega do Ateneu Comercial, e tive vontade de publicá-la. Nunca antes a tinha dado a conhecer. Já passaram muitos anos, mas ainda tenho olhos tristes... Os olhos que a vida me deu!



quarta-feira, 17 de setembro de 2008

LIANOR

Decidida vai para o emprego
Lianor pela estrada
Vai formosa e mui cuidada.
Leva na mão a maleta
E caminha, direitinha.
Ó Lianor, se eu fosse a ti
Baixava mais a saínha…
Bem sei que tens boa perna
E o que é bom é para mostrar…
Mas mulher, tu tem tino…
Deixa o homem trabalhar!
Não te reboles tanto
Nem sejas tão presunçosa,
Não precisas dar nas vistas,
Já sabemos que és formosa!
Não sejas provocadora,
Troca lá de sapatinhos
Vê se andas como gente
Em vez de andares aos saltinhos!
Lianor, tu tem vergonha,
O homem não pára de olhar…
Olha, depois não te queixes
Que eu não estou p’ra te aturar!
O rapaz que está a ler,
Completamente alheado,
Com a distracção do outro
Ainda acaba atropelado!
Ó Lianor, olha tu poupa-me
Que eu não te quero dizer
Aquilo que penso de ti
Para não me aborrecer!
Amanhã tu vê se vens
Vestidinha de outro jeito.
Pensa bem no que te digo,
Vê se te dás ao respeito!

Leonor Costa

Mais uma contribuição para o Escritor Famoso, como a anterior.


quarta-feira, 27 de agosto de 2008

DÁ-ME A MÃO

Desce do teu pedestal,
Deita fora esse desdém,
Não olhes assim para mim
Como se fosse ninguém!

Despe teus brocados e cetins,
Assume-te tal como és
Não queiras ser "magestade"
E ter o mundo a teus pés.

Dá-me a mão, desce daí,
Mas desce enquanto é tempo
Porque a vida é chama breve
Que se apaga num momento.

E depois da chama apagada
És igual a todo o mundo...
Sozinha, tu vais dormir
Um sono eterno, profundo!
*****
Leonor Costa
10.2005
Participação no blog O Escritor Famoso
Foi uma experiência engraçada. A poesia era feita mediante a foto que escolhiamos.

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

QUANDO EU ME CHAMAR SAUDADE


Sentei-me à beira do amanhecer
E esperei, em vão, que tu viesses...
Dói-me a alma de te não ver,
Dói-me a alma... se tu soubesses...
E os dias vão passando
Todos iguais, todos vazios...
Todos sem a tua presença...
Todos sem o teu olhar...
Sem a minha mão na tua,
Na ânsia de te encontrar...
Mudei de nome, mudei de veste:
Ao deixar de ser Esperança
Passei a ser a Esquecida.
Mas quando um dia partir
E então me chamar Saudade,
Ainda vou esperar por ti
Num lugar que se chama
Eternidade!
****
Leonor Costa
Em 08.08.2008